
Resultado final da dupla de criação da Octopus, Sandro Pierozzi e Walter Lencina, e da revisora Vanina Pierozzi.
Seguinte, pessoas. Já escolhemos os 3+ e sem sermão, vamos ao que interessa:
Santa Programação

Direção de arte: Victor Oliveira
Redação: Thiago Mattar
Apóstolos

Criação: Ricardo Brito
Controle-Remoto

Direção de arte: Dioge Japaman
Redação: Iasnara Amorim
Dessas três, gostamos da direção de arte do Japa (controle remoto), apesar de ser um ícone recorrente, mas tem uma beleza plástica e um título.
Adoramos o título do segundo (mesa vazia - do Brito), e consideramos-o o mais inteligente de todas as peças apresentadas.
Finalmente, em termos de conceito, preferimos o primeiro, da mesa com os apóstolos, criado pela dupla, que além de muito bonito, como layout, tem uma idéia visual clara e imediata. Temos dúvida apenas se não seria o caso de um título melhor.
No geral, achamos muitas peças com gracinhas gratuitas, ou títulos forçados. Algumas não levaram o título muito em conta e brincaram mais com imagens clássicas. A maioria bateu nos velhos clichês. Separamos, no máximo, 5 que podemos dizer que curtimos e atenderam ao brief.
A peça do Thiago e Victor com os apóstolos e a TV fora da cena “A série de documentários que mudou…”. faltou explorar um pouco o texto - este podia ter muito mais alma e ser mais certeiro, mas em geral a peça é equilibrada, a direção de arte está limpa e, com seu requinte, traduziu um conceito muito interessante.
Acho que todo mundo seguiu meio que uma “formulinha de anúncio religioso”, com o mesmo frame, imagens de plástica semelhante, fontes nem sempre muito legíveis e, às vezes, pesadas e atmosferas bem parecidas… Péra que eu já continuo essa história.
Bem bacana a peça do Japaman, pela direção de arte sempre bem cuidada (exceto pela fonte de difícil legibilidade) e menção honrosa para a Bárbara de Paulo, pela diagramação bacana e limpa e pelo fechamento com “amém” na página ímpar. Bem legal.
Agora sobre o que eu, Sandro Pierozzi, falava ali em cima - pagamos nossos pecados na profissão a cada dia, né? Bom, deixa eu contar pra quem ainda não entrou no mercado e pra quem já está há tempos ficar balançando a cabeça que nem bobo em frente ao monitor:
Quando eu entrei no PSV há muitos e muitos meses, eu era apenas um rapaz latino americano sonhando em tentar a vida lá fora ou então ganhar prêmios e prêmios ou ainda pelo menos ter um salário de 5 dígitos…
Bom, trabalho lá fora eu tenho agora e daqui uns meses devo ir ver como rolam as coisas do outro lado do mundo. Prêmios não rolaram, pois eu consegui a terceira coisa, o salário
Mas falando sério, é uma luta diária, que precisa de muita vontade, disciplina, paciência, bom humor, uma certa dose de loucura e criatividade saindo pelos poros. Não devo ter nem metade disso que precisa, mas tá dando certo: meu atual trampo consegui com um arremedo de pasta que montei com umas poucas peças que fiz para o PSV no início dele. Esse exercício me abriu os olhos para uma qualidade gráfica e principalmente conceitual que eu não tinha - boas e geniais idéias vendem, qualquer coisa em qualquer lugar do mundo (pausa e respira): para as pessoas certas.
Isso quer dizer que, temos de responder coisas como - quem compra, por que, pra que, quanto, o que pensam e como compram. Entender o brief, refazer o brief se preciso, conversar e conversar com o atendimento, mídia, financeiro, porteiro, com quem precisar pra conseguir uma boa idéia e uma luz de como resolver aquelas perguntas. No final, estas respostas devem ser dadas com soluções e ferramentas que temos em mão (nossas redações, direções de arte, mídias, veículos, interações, interferências, com tudo que pudermos) - por isso eu pergunto: POR QUE SÓ TEMOS ANÚNCIOS DOUBLE SPREAD AQUI?
Sei que o PSV prima pela pasta, mas comecem a quebrar um pouco isso sem a necessidade do PEDIDO DO BRIEF. Quem sabe não acertam mais? OU mostram algo a mais que ninguém viu? Claro que é bacana fazer a página dupla, mas… nem só de atender a um brief vive uma pasta.
Onde ficam os sites, as interferências urbanas, ou mesmo os rouba-página, cintas, quiosques, pdv, sei lá. Tem tanta coisa que pode ser feita pra atingir o público. Estou falando que, hoje em dia, uma pasta é mais uma Caixa de Pandora que pasta. Tem que ter conceito forte! E muita solução.
Se vai ser com um anúncio, ou uma blitz, aí é outra história, tem de estar lá também, sem desculpa. Vamos começar a pensar em campanhas, broadsides, estratégias criativas, chamem como queiram, mas vamos fazer mais. Vivam a profissão, viajem muito, conheçam lugares, pessoas, coisas, façam layouts com a comida no prato, anotem títulos no guardanapo da Nona na Ceia de Natal, devorem as Archives e Anuários, façam peças com a mesma plástica, depois desconstruam e façam as mesmas peças com uma plástica totalmente diferente.
Pensem em como seu anúncio vira evento, camiseta, viral, pôster, arte urbana, roupinha pra cachorro, jingle, spot, história em quadrinhos, longa metragem – quanto mais peças interessantes e pertinentes, inovadoras, surpreendentes e conectadas entre si seu conceito render, melhor pra você. Aí é só tomar cuidado, pois inevitavelmente você consegue seu primeiro trampo, sobe o próximo degrau na carreira ou aperta o patrão pra pedir um aumento (nem sempre) É isso. Boa sorte pra todo mundo e vamo que vamo.
Sandro Pierozzi - Diretor de arte e Ésse Vê de carteirinha.