Antes de tudo, pedimos desculpas pelo atraso no julgamento. Será que precisamos explicar que, dentro de uma agência nem sempre temos tempo de largar o job para nos dedicarmos a coisas mais importantes, como o PSV, por exemplo? Hehehe. PSV é minha diversão e minha extensão de trabalho. Amo isso aqui. Ok, sentimentalismos depois. Vamos lá!
Sem mais furação de papo, vamos objetivamente ao objetivo: inicio o meu parecer (em conciliação com a opinião do Rodrigo) com os seguintes tópicos: Estética e Interpretação do Briefing.
Galera, é impossível colocar no papel uma ideia derivada de uma interpretação perfeita do briefing, entretanto, há um limite necessário a ser considerado para essa tradução e, isso se reflete, claro, no que você vai apresentar, seja em sua pasta, seja ao cliente ou alguém da agência (caso você já esteja imerso).
O senso de estética é importante em tudo na vida. Quando você vai estacionar um carro, você olha no retrovisor se está bem alinhado. Quando vai fazer aquele xixi, você dá sempre uma olhadinha para ver se não restou algum pingo, ali, mal intencionado, não é? Você pega o papelzinho e limpa bem devagar, olha novamente e se certifica de que está limpo, para garantir que, amanhã, você não vai tomar uma bronca da sua mãe, esposa ou diarista, que seja.
Mas nem todo mundo tem essa preocupação. Tudo é questão de cultura, organização e bom senso. É assim na comunicação de marcas também. Alguns têm esse senso mais apurado, e isso é logo percebido.
É isso também que nos faz avaliar um profissional: a sua, digamos, habilidade de entender a retórica da Estética. Ela deve estar no discurso, nos hábitos e, consequentemente, nas peças publicitárias que ele produz sozinho ou em equipe.
Estética não é luxo, não é ciência, é um senso e, portanto, podemos aprimorar isso com a descontrução de paradigmas e aprofundamento das técnicas. A estética organiza a sua desorganização, alinha tua visão chapada das coisas, ela educa teu “lado artístico”, ou tua arte (porque isso é necessário em qualquer profissão: a arte deve ceder às verdades do mercado).
A Dona Estética te obriga a estar certo em tudo, embora você nunca estará. No entanto, isso quer dizer que você vai se exigir mais de você mesmo, tudo isso em busca de tal da excelência.
Então, colegas, amigos e futuros amigos e colegas, sendo objetivo (embora depois de tanto texto), senso estético é: “meu, tem um pedaço de coentro no teu dente!”. Esse exemplo serve para justificar a nossa avaliação técnica para condenar ou absolver um determinado trabalho publicitário, mas claro, nós vamos muito além da simples observação que o senso comum costuma fazer e julgar.
Muitas vezes, tirar apenas o pedacinho de coentro é pouco e, em muitos casos não adianta muito, porque os dentes são tortos. Aí, meus caros, ou se compra uma dentadura nova, ou se usa aparelho por um bom tempo – ou – sei lá, arranca logo tudo e fica banguela de vez. Há estética no banguela, sim. No dente com coentro aparente, não.
Seria então, a estética, uma limitadora de ideias?
Não. Ela não limita nada, apenas delimita o espaço entre o que é realmente tosco e o que é, de fato, uma peça publicitária.
O que levamos em consideração para elegermos a peça/campanha vencedora?
Respondo por nós: a forma como você descontrói paradigmas, como você pratica o teu conhecimento básico sobre as ferramentas, a forma como você NÃO utiliza referências externas, a forma como você utiliza as tuas referências, teu conteúdo, tua cultura. Avaliamos as tuas intenções, teus gestos obcenos para com os limites de recursos, avaliamos teu caráter aplicado à propaganda, tua omissão ao lado gente, tua “assumição” ao lado publicitário.
Sim, sobre a estética falamos, sobre a interpretação do briefing, eu (TC), digo: existem coisas que o dinheiro não compra, para todas as outras existem um bom interpretador te textos. Estude esta retórica e vamos conversar depois. Twitter: @tcavalcanti. E-mail: tenorio@artoffice.com.br.
Temos dito, paragrafado, julgado e eleita, a peça: http://www.psvsite.com/galeria/brief-34-wrangler-the-loops-power/
Top: Bruno Bacci
Aos comentaristas dos anúncios do Bruno: leiam todo o nosso comentário sobre estética e vejam que: o valor de uma peça publicitária não está no olhar de quem vê. Está na forma como ela transmite a verdade da marca.
Público-alvo? O que é isso? Machismo? O que é isso? Convençam-nos: eu, o Rodrigo e o Bruno (que sabe o que fez) que a campanha dele não merece estar no pódio. Mas não nos tragam comentários sem estética, retórica, lógica, ou, pelo menos, Bom Senso – item de série (e não opcional) em propaganda).
Enfim, interpretação de texto é fundamental e a qualidade da tua “lógica” depende – diretamente – da VERDADE do briefing, antes, a verdade da marca. Sacada por sacada, pega no meu saco!
Background do júri: Tenório Cavalcanti e Rodrigo Lino são membros de uma das equipes mais premiadas do Brasil em Below The Line, Visual Merchandising, Retail, Design e Marketing Promocional, para marcas como Philip Morris, Nike, O Boticário Internacional, Ambev, Brastemp, Positivo Informática e Revista Billboard.
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Bem, respeitemos a decisão do juri, mesmo que não concordemos – rs.
O juri é soberano – hahaha
Bom,primeiramente nada contra a peça do Bruno!Porém,na minha opinião os últimos juris do PSV analisam as peças e escolhem justamente as que não são pertinentes ao brief.Acho que se o brief é o referencial,deveria ser a base para as análises e esse anúncio não atendeu.Se fosse num ambiente de agência,acredito que seria um problema.
Mas como disse a Sílvia,respeitemos a opinião do juri,mas opinemos,afinal temos esse direito(pelo menos aqui)!Espero que mude pra melhor em 2010 essas análises,senão muitos criativos deixarão de participar no PSV,inclusive eu!!!
Abraços a todos!!!
Gostei bastante do texto sobre estetica.Compartilho da mesma opnião. N li o brief 34, mas vou da um voto de confiança no jurado rsrsrsrs… se foi tào bem o caminho todo, n era no final q ia cagar ne?! (aos sensiveis, desculpe o ‘cagar’)
Marcos, vou te falar um ponto-chave nesse jogo: ou você lê o briefing interpretando as entrelinhas e reconhecendo as incontáveis possibilidades de se passar uma mensagem, ou você cai na literalidade. Literalidade, meu amigo, para a propaganda não serve, senão não é propaganda, é qualquer coisa feita de qualquer jeito, por qualquer um. Isso por isso, vamos transformar o briefing em um anúncio e publicá-lo no jornal? É assim que se acerta?
Rapaz, a maioria colocou o cowboy como frente e veja só: até montado em cavalo, boi, carro e moto. Proibido fazer isso? Não, não é essa a questão. Meu, peida alto quem tem gás! Não adianta viajar na graxa grossa e não dominar pelo menos o Photoshop e Illustrator para transformar a peça em algo, pelo menos, gostosa de se ver.
Falei da verdade da marca, certo? O briefing conta essa verdade, cabe ao publicitário aprender a transmiti-la da melhor forma, dando potência a ela e não apenas repassando como se fosse uma mentira ou uma historinha qualquer. Lie To Me está aí, essa sim, tem licença para mentir, porque a marca em si já é uma mentira.
O Bruno acertou porque transcendeu essa literalidade e conversou com o target (coisa que poucos fizeram, de fato) de forma sutil e se apoiou em um conceito que se aproxima bem mais dessas verdades.
Velho, quem usa Wrangler sou eu, o gerente daquela relojoaria do shopping, o síndico do teu prédio e talvez você. Isso não quer dizer que tenhamos troféus de rodeio ou vaquejada rodeados pela casa. Eu como “freguês” não me vi montado em um cavalo, não me vi machão rodeado de mulheres na praia. Eu me vi imerso em uma situação que traduz o sentimento da marca. O poder do laço é o poder de sedução, é a pegada, o jeito, a “masculinidade”. Tá tudo ali nas peças do Bruno: cavalos, mulheres, cowboys, Texas e rodeio – juntos em uma situação que no final de semana à noite, longe dos rodeios, eu posso vivenciar. É o poder do laço ali, convertido em sedução, em desejo, em jeans, em pegada forte, em resistência, em Wrangler. E ele fez isso sabendo o que fez: assinou legal, teve uma preocupação estética (que é uma obrigação) e parece que conseguiu colocar o briefing ali de uma forma estranha à tua compreensão. Normal. Cabeças, cabeças, cada uma em seu pescoço.
Todos que participaram merecem atenção e é bom que aprendam com essas discussões. Deixo aqui um recado: sempre se prenda a o que a marca realmente é e nunca tente se esquivar disso, nem com criatividade, nem com tese. Isso é básico, gente. Contrariar isso te faz errar (parece redundância, mas não é) no básico. Pecado mortal. Você vai perceber em algum momento. Já errei muito e é por isso que trago um pouco da minha experiência pra cá. Grato pela oportunidade e abraço a todos! Continuo disposto a discutir, afinal, minha palavra não é e nunca será SOBERANA.
Sabe como um “crente” vive sua vida dentro da religião?
a) ele vai à igreja, ouve a pregação, aceita tudo aquilo que falam lá, vive aquilo, deixa a carteira, ora, jejua, aliena-se.
b) ele vai à igreja, ouve a pregação, usa sua percepção, crítica e, o que presta, leva com ele. Mas o que julga falso, forçado, sacana, ele deixa de lado.
c) ele vai à igreja, ouve a pregação, aceita toda a merda que falam lá, mas não vive porra nenhuma. Só que, por isso, vive se culpando.
Essa comparação é mais ou menos como vejo o PSV.
- se vc pensar em seu portfólio, vc mal lê o brief e busca sempre criar uma peça #duca.
- se vc quer ter ou melhorar o seu repertório, vc avalia o brief e todas as peças publicadas, percebendo/analisando/acompanhando de ponta a ponta tudo. Aí vc, logicamente, terá um resultado final seu. E pode aprender alguma coisa com o resultado do júri, pois aqui vc tem o modo de raciocínio dele. Que pode se diferenciar do seu.
- vc pode pegar o brief e seguir ele legal. vc pode depender dele para fazer um trabalho. Aí, torça para que, na agência em q vc trabalhe, tenha algum atendimento que saiba escrever briefINGS, com olhar clínico, meio que planejando e q extraia/sugue o que realmente o cliente quer.
- agora, acho que as pessoas precisam entender que trabalhamos com um negócio chamado publicidade, feito de pessoas e com toda a gama que traz uma pessoa. aí multiplicamos por 1000 visitantes.
Ah, podemos fazer assim: quem manda o brief, julga depois.
Gostei da peça. Agora nem lembro se foi a melhor, mas merece estar entre elas. Eu, como um grande cowboy nas horas não vagas, adoraria ver a peça numa revista de putaria. Só colocaria uma a mais com a Karina Bacchi, delícia.
Abraaaaaaaaaaaass!
É culpa de quem, achar que tudo se começa “criando”?
É culpa de quem, achar que a criatividade é a mãe das agências de propaganda?
É culpa de quem, colocar a peça publicitária na frente da estratégia?
É culpa de quem, buscar uma escola de criatividade em propaganda antes de entender mercadologia?
É culpa de quem, confundir veiculação em massa com resultados?
É culpa de quem, não aceitar uma crítica que destrua a tua ideia?
A CULPA É SUA ATÉ QUANDO VOCÊ PERMITIR.
Primeiramente parabéns ao Bruno Bacci. Achei a peça realmente bem resolvida esteticamente, assim como os jurados disseram.
Sei que a maioria aqui, assim como eu, somos iniciantes, e criar uma peça assim, sem ter um banco de imagens legal é uma tarefa bem difícil, uma caça as bruxas. Por este motivo, muitas vezes quando achamos um conceito legal, ralamos o dobro para traduzir isto em imagem, e como pudemos ver, com certeza o Bruno conseguiu casar essas duas coisas e criar uma linguagem.
Porém, tenho algumas dúvidas se este humor é de fato para o público de 30 anos da Wrangler. Concordo que a piada foi boa, mas essa piada poderia talvez “vestir” em tantas outras marcas de calças jeans. É só mudar o logo ali em baixo para ver que a piada teria a mesma graça em outras marcas. A diferença é “The loop’s power” que liga tudo, mas esse “power” realmente traduz “Resistência, durabilidade, conforto e tradição” como vocês destacaram como sinônimos da marca.
Olhando para o site deles do Brasil e dos outros lugares do mundo, vi que eles são bem diferentes. O site americano segue uma linha meio Texas, o site da Europa uma linha meio folk do Brasil mais sertaneja e etc, mas todos tem uma coisa em comum, uma linguagem única, e mais sóbria, e só por isso, tenho minhas dúvidas quanto utilizar este tipo de humor para traduzir o espírito western da Wrangler.
E claro que esta é só minha opnião. Não estou defendendo meu peixe, estou só dando meu ponto de vista sobre a decisão. Gosto muito do site, e parabéns pelo briefing, só não concordei muito com o resultao sobre sua interpretação.
Assim como tivemos liberdade para discordar da campanha “WE ARE ANIMALS” que ganhou o GP de Cannes, prêmio dado por pessoas que também entendem da coisa, eu particularmente não fiquei muito satisfeita com este também do “WE ARE MACHOS”, mas respeito a opinião de quem tenha gostado.
Enfim, mãos à obra, rumo ao desafio do brief#35.
Sobre a discussão em relação a seguir Brief eu concordo plenamente com o Tenório Cavalcanti. O Brief é pra dar uma luz e não para determinar um caminho único.
Acho que esse anúncio fugiu do conceito que a marca Wrangler representa e a linha que ao decorrer dos anos ela transmite. Eu particularmente gostei da peça, mas como a própria aline disse, esse anúncio poderia ser assinado por qualquer marca de jeans.
Criar, pirar e incrementar o portifa, no psv, é o que vale.
Mas mesmo assim, acho que o juri foi incoerente na escolha da peça vencedora. Porque sim, esse anúncio vende calça jeans, mas n vende Wrangler.
Provavelmente esse tenha sido mesmo o melhor anúncio desse brief, mas n serveria, exatemente, para esse brief.
Eu, mero redator, descascador de abacaxi, resolvedor de problemas que poucos gostariam de resolver, apaixonado por criação publicitária, confesso que We are animals não entrava nem nos meus roughs.
Eu gostei desta campanha aqui, ó: http://www.psvsite.com/galeria/brief-34-wrangler-resistindo-desde-1947/ Mas devo ter ressaltado nos comentários q ela tem seus problemas.
“We are animals” ficaria ótimo para um editorial de moda. Como campanha, achei uma bosta.
Valei-me Nossa Senhora da Lógica Prudente! “The loop’s power” não se encaixa em nenhuma outra marca de jeans que eu conheço. Vamos fazer esse exercício? 1, 2, 3, já! Ellus. “The loop’s power”. Colcci. “The loop’s power”. Levi’s. “The loop’s power”. Zoomp. “The loop’s power”. Peraí. Wrangler. “The loop’s power”. Ôpa, seguuuuuuuuuuura, peão!!!
respeito…mas não concordo…poderiam colocar pelo menos o segundo e o terceiro lugar tbm né…
O contexto em que a frase está inserido… É a cara do estilo Wrangler que eles pregam a milhares de anos.
Eu q to meio loko
Aliás, seguuuuuuuuuura peãogarradorsexyquesópegamodelotop